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À vista do meu quarto

À vista do meu quarto

Futurando o futuro

À vista do meu quarto, encontro-me eu, de diploma na mão.

Será o meu futuro risonho, ou não?

Sonhos, tenho muitos, mas cabem numa mala de mão. Não em mala de porão, nem bilhete de avião, amigos vão outros não, família que se despede fica a sensação, de abandono dos que para trás ficam. 

Que o futuro seja, mas que o seja em Portugal, com um emprego normal. E que nas idas e nas voltas, a minha zona de conforto habitual seja o meu quarto. É natural que ambicione mais do que o igual ao que tenho. Fazer carreira, encarreirando com o meu desempenho. Mostrar ao que venho, profissional me desenho, cheio de arte e engenho para conquistar o meu lugar.

O meu lugar.

Só quero o meu lugar.

Haverá por aí, mil e um, iguais a mim, decididos também como eu me decidi, pois foi a vida que eu quis, a vida que eu escolhi. Sou eu e mais mil, também iguais a ti. Entre os que vêm e vão, muitos desanimam em vão, por não serem então, com razão ou não, os escolhidos que serão, que andarão por aí. Deram tudo de si.

E demos tudo de nós.

Felizardos aqueles, que andam por aí, aqueles que entre mil e um ou mais, iguais a mim e a ti, conquistaram o seu lugar.

O seu lugar.

E aqui estou eu a almejar o meu lugar, entre os outros lugares ou entre os lugares dos outros, e vou com a mesma sensação, de que há mil e um, iguais a mim, de diploma na mão.

Só de diploma na mão.